Poemas de Dennis Radünz
Dennis Radünz é um poeta nascido em Blumenau e que vive atualmente na ilha do desterro (Florianópolis). Trata-se de um dos poetas mais coerentes que tenho lido nos últimos anos. Sua coerência vem a meu ver pelo projeto poético. Sua voz é impressa nos poemas cujo ritmo apresenta o poeta em sua ausência tipica do poema impresso. Isto equivale dizer que na medida em que o leitor conhece os livros do escritor ele perceberá o registro da voz na letra impressa. Nem todo poeta consegue ou alcança por vontade ou não essa tensão em seus poemas.
visite o site do escritor https://www.dennisradunz.com/
DESCONHECIDO
[ANOTAÇÃO PARA A OTOBIOGRAFIA]
“quando eu finalmente alcancei
a minha idade de criança
me imaginava envelhecendo
sendo o homem-invisível
todo encoberto com crepúsculos
no mundo verde do ilocável
a minha idade de criança
me imaginava envelhecendo
sendo o homem-invisível
todo encoberto com crepúsculos
no mundo verde do ilocável
mas os meus gestos de autoria
atrás de mim – uns filamentos –
me denunciam a evidência
na superfície entreaberta
do mundo opaco, capa espessa,
e fazem caudas (…)”
atrás de mim – uns filamentos –
me denunciam a evidência
na superfície entreaberta
do mundo opaco, capa espessa,
e fazem caudas (…)”
O DESCONHECIDO
[UM COMEÇO DE AUTOBIOGRAFIA]
um sobreaviso de animal antigo
no espaço curvo da cozinha. todavia,
no ar impróprio a mão sustinha
a colherinha de anti-ácido – esquecia
-se ali da louça seca e movediça
em sobrepeso sobre a pia, mas havia
a onda gravitacional: o cinturão
de kuiper: a escuridão: o mal da azia
e toda espécie de criaturas vivas
crescendo dentes em uma lua alheia:
no espaço curvo da cozinha. todavia,
no ar impróprio a mão sustinha
a colherinha de anti-ácido – esquecia
-se ali da louça seca e movediça
em sobrepeso sobre a pia, mas havia
a onda gravitacional: o cinturão
de kuiper: a escuridão: o mal da azia
e toda espécie de criaturas vivas
crescendo dentes em uma lua alheia:
mas não convém nos demorarmos
nos horizontes desse evento
nos horizontes desse evento
DESCONHECIDOS
[DA ORDEM DOS FENÔMENOS]
(x)
esse copo de café (paralisado)
demasiado arremessado sobre a mesa
cemitério de açúcares ao leite
descido desde as próprias ribanceiras
o copo rodeado pelos dentros
demasiado arremessado sobre a mesa
cemitério de açúcares ao leite
descido desde as próprias ribanceiras
o copo rodeado pelos dentros
o nó dos dedos tamborila sobre o tampo
um toque lento entre a louça entreaberta
em mesa posta para o espírito do escasso
ou para o plasma que tocasse os relentos
( )
um toque lento entre a louça entreaberta
em mesa posta para o espírito do escasso
ou para o plasma que tocasse os relentos
( )
(y)
copo consumido em extremos
desde os lados do além até um centro
que é de ilhas diluídas e defesa
contra os lados de uns vidros acuados
pelos pesos de seu muito peso líquido
desde os lados do além até um centro
que é de ilhas diluídas e defesa
contra os lados de uns vidros acuados
pelos pesos de seu muito peso líquido
mas chega ausente e (és pó) desalimenta
na desmesura do que nunca se condensa
nem ossa um sopro de conviva no espaço
e a mesa volta ao cedro íntimo e silêncios
(na noite inútil irrespirada pelos ventos)
na desmesura do que nunca se condensa
nem ossa um sopro de conviva no espaço
e a mesa volta ao cedro íntimo e silêncios
(na noite inútil irrespirada pelos ventos)
Dennis Radünz nasceu em Blumenau (SC), em 1971, e vive em Florianópolis. Ossama: último livro, com alguns textos acima editados. Publicou também os livros de poemas Exeus (1996/1998 - 2ª. ed.), Livro de Mercúrio (2001), Extraviário (2006) e a coletânea de crônicas Cidades marinhas: solidões moradas (2009). Mestrando em Letras (UFSC), trabalha como editor de literatura e artes e ministra oficinas de criação literária em vários estados brasileiros.

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