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Leituras para quarentena - dia 09

Rubens da Cunha



Docente da Universidade do Recôncavo da Bahia - UFRB. Doutor em Literatura na UFSC, com tese sobre a obra teatral de Hilda Hilst. Membro do Núcleo Juan Carlos Onetti de Estudos Latino Americanos. Editor da Revista Landa, do Núcleo Juan Carlos Onetti de Estudos Literários Latino-americanos. (www.revistalanda.ufsc,br) e do Jornal Brasileiro de Teatro Caixa de Ponto (http://caixadeponto.wix.com/site). Membro do conselho editorial do Suplemento Cultural de Santa Catarina (Ô Catarina). Ministrante de oficinas de criação literária desde 2000. Atua como crítico teatral desde 2011. Poeta, escritor de literatura infanto/juvenil e cronista. Possui sete livros publicados Campo Avesso, (2001); Casa de Paragens (2004); Aço e Nada (2007); Vertebrais (2008), Crônica de gatos (2010), Curral (2015) e Breves exercícios para Fugitivos (2015).



Instante 1
Jogados sobre o chão de madeira, uma calça de pijama, sapatilhas e um djembê.
Persianas fechadas.
Na estante sem livros, repousam, solenes, uma vela e um vibrador.

Instante 2:
O tapete cobre o chão de madeira.
Uma vela acesa sobre um caderno de rascunhos ameaça, lentamente, escrever um incêndio.

Instante 3:
Pendurados diante da janela, cadernos, canetas, sapatilhas, calças de pijama: coisas que persianam o calor do poente.

Instante 4:
Sobre o tapete: o vazio.
Abaixo do tapete: o chão de madeira.
Abaixo do chão de madeira: concreto, concreto, depois terra.
Dentro da terra: djembês de fogo.

(extraído do blog do autor: http://casadeparagens.blogspot.com/ ) onde há muitos outros textos.

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