Imagino mar
Cristiano
Moreia
minha cabeça sempre
maré alta
sempre o mar na linha
d’água afirmando
o meu olhar feito
retinaquário
na hora particular de
minha lua
quando malhas da mata
vazam luz
nos poros do tecido
verde vário
vaga lumes quase sem
gravidade
não deixam fixar minha
mirada
faço meu seu silêncio de anêmonas
cuja cama é cochicho do
riacho
bailando de cambaio
entre as pedras
o mar é uma anfisbena
no meu sangue
sou todo água, imagino o
mar
onde saltam os peixes
voadores
nas folhas soltas quedam
em cardume
o vento nos meus poros as
marolas
o verdugo onde calo os
meus amargos
tem seu duplo no escuro
da floresta
no caule de uma árvore
caída
navega minha casa essa
saudade
atraco neste céu, rubra
escotilha
o sol puxa consigo a
maré baixa
descubro minha cara nesse
mangue
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